sábado, 30 de janeiro de 2010

Quem é o tal Calvino.



é o Italo. Num livro belíssimo chamado: os amores difíceis. Já agora, mais um pouco de Calvino, outro lado mais escuro. Não dos amores difíceis, mas da difícil arte de viver. e ponto. "Trabalho novo, cidade diferente, fosse eu mais jovem ou esperasse mais da vida, teriam me dado ímpeto e satisfação; agora não, eu só conseguia ver o cinzento, o miserável que me cercava, e me enfiar nele, não tanto como se estivesse resignado, mas até como se gostasse daquilo, porque daí tirava a confirmação de que a vida não podia ser diferente." é engraçado reler livros que outrora estiveram em nossa cabeceira. Costumava marcar as passagens que me marcavam. E assim posso ir me reconstruindo de fragmentos esparsos, distribuidos em mil livros que me acompanharam ao longo da vida. é um processo de releitura do mundo, do meu, e de mim mesma.

domingo, 24 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


...atravessando paisagens que são emoções...
F. Truffaut

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"O Natal anuncia que a vida é uma viagem, não só porque estaríamos em trânsito para outro lugar onde seremos recompensados ou punidos para sempre, mas porque somos todos, como o recém nascido da festa, viajantes: ninguém vale pela sua ascêndencia, pelo lugar onde nasceu ou pela tradição a qual ele pertence, mas cada um ...vale pelo que ele conseguirá fazer com sua vida."

Contardo Calligaris

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade


quinta-feira, 26 de novembro de 2009



“O branco deve muito de sua elegância às garças.”

Manoel de Barros

foto Anne de Graaf

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


"Gosto imensamente destes grandes silêncios, porque então ouço-me a mim mesmo, e vivo mais em cinco minutos de solidão do que em 20 horas de bulício."
(Histórias da Meia-Noite - Machado de Assis)

terça-feira, 10 de novembro de 2009


tem os que passam

e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado

Alice Ruiz

terça-feira, 3 de novembro de 2009

De Momento em Momento



Por quê este caminho e não o outro? Aonde leva para nos atrair desta forma? Que ávores e amigos estão vivos atrás do horizonte dessas pedras, no distante milagre do calor? Viemos até aqui porque onde estávamos não era mais possível . Éramos atormentados a ponto de ser escravos. Em nossos dias o mundo é hostil aos Transparentes. Mais uma vez foi preciso partir... e este caminho, semelhante a um longo esqueleto, nos conduziu a um país que só tinha o próprio sopro para escalar o futuro. Como mostrar sem trair as coisas simples desenhadas entre o crepúsculo e o céu? Pela virtude da vida obstinada, no giro do Tempo artista, entre a morte e a beleza.
René Char, “O nu perdido e outros poemas”

Parecia um pássaro

Parecia um pássaro, um frêmito

de folha, uma líbélula,

uma coisa evanescente

e volátil:

não era nada, um pensamento / de amor? /

que se ensaiou na sombra

e desapareceu qual rã.

Marly de Oliveira

quinta-feira, 29 de outubro de 2009



Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta sem interesse pela resposta pobre ou terrível que lhe deres Trouxeste a chave?
Carlos Drummond de Andrade