terça-feira, 25 de agosto de 2009


foto nuno veiga
O sol beija pra todo lado nem sabe quenta beijando.
Mas nessa manha de sábado quem está sendo beijado sabe,
e está gostando.

Duda Teixeira

sexta-feira, 21 de agosto de 2009


Águas belas, belas águas
almas calmas,alvas claras
ondas leves, noites secas
vasto ecoa pela areia

som de passos de sereias

fazem traços, tecem teias

onde me enrosco e passo

onde me traço leia

vagas viagens pouso
vôos em pura cegueira

planos enormes plenos

ventos e mapas de queira.

Duda Teixeira

Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto.”


“Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails, e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, ‘leves’, disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.”

(Miguel Sousa Tavares em “No teu deserto”). Para ilustrar o post, trabalho de Antony Gormley.

Via Ricardo Lombardi - Desculpe a Poeira

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

domingo, 9 de agosto de 2009


Uma longa vida com risos, lágrimas, cóleras, abraços, confissões, silêncios, impulsos e parece, às vezes, que o tempo não passou.
O futuro se esconde, ainda até o infinito.
A idade da discrição
de SIMONE DE BEAUVOIR
foto anne de graaf

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

sábado, 25 de julho de 2009

Tradição Koinobori




No Japão, famílias com filhos homens hasteiam, no dia 5 de maio, sobre um mastro de bambu, o Koinobori, que é uma carpa colorida de tecido ou papel. Quando o Koinobori é visto tremular junto ao céu azul tem-se a impressão de estar vendo uma carpa nadando contra a correnteza. O Koinobori representa o Dia dos Meninos, e a carpa é um símbolo de força, persistência, bravura e sucesso. Esse peixe consegue nadar e subir correntezas e cataratas sem a ajuda de ninguém, e numa fábula chinesa, a valente carpa se transforma num dragão no final da escalada. Os atributos que a carpa simboliza parecem virtudes militares (persistência, coragem, sucesso), e de fato, ela está em algumas lendas que falam de guerras ocorridas num período remoto, tanto é que nos santuários do deus da guerra, Hachiman, são distribuídos amuletos em forma de carpa. A prática de hastear o Koinobori surgiu no século XVII entre os plebeus urbanos, que resolveram apresentar uma alternativa ao costume dos samurais de exibirem suas armas e armaduras no Dia dos Meninos. Além de ser mais simples, a carpa de tecido simbolizaria os mesmos valores pretendidos pelos guerreiros sem ser tão ostensivo.
Tirado do site do artista plástico Lucas Isawa

quinta-feira, 23 de julho de 2009


No começo era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: “Eu escuto a cor dos passarinhos.” A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois Em poesia que é a voz do poeta, que é a voz de fazer nascimentos - O verbo tem que pegar delírio.
Manoel de Barros

segunda-feira, 20 de julho de 2009

E de repente Raquel de Queiroz


" Eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti,
e eu queria que você soubesse
."