terça-feira, 17 de junho de 2008

Poeminha Sentimental



O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio da vida!
No entanto Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana

terça-feira, 20 de maio de 2008

Seda



"...Não era talhado para assuntos sérios.
E um adeus é um assunto sério..."

Alessandro Barrico

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Nosso tempo coloca uma nova forma
de relacionamento no mercado,
os relacionamentos narrativos...
Não tem altura o silêncio das pedras.
Manuel Barros

domingo, 20 de abril de 2008

E de Mário Quintana?


INVITATION AU VOYAGE

Se cada um de vós, ó vós outros da televisão
- vós que viajais inertes
como defuntos num caixão-
se cada um de vós abrisse um livro de poemas...
faria uma verdadeira viagem...
Num livro de poemas se descobre de tudo, de tudo
[mesmo!
- Inclusive o amor e outras novidades.
Mário Quintana

terça-feira, 8 de abril de 2008

Voce gosta de Manoel de Barros?

Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinho ouvem
de longe.
E vêm pousar no seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos de
trabalho:
I abridor de amanhecer
I prego que farfalha
I encolhedor de rios - e
I esticador de horizontes
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
fios de teias de aranha. A coisa fica bem
esticada)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
incompletude?)
Manoel de Barros

terça-feira, 4 de março de 2008

O que fazia?
Redefinia
O tudo e o nada
Paisagen visitada
sob novo ângulo.
Tons de verde se
exibindo com seu jogo
de luz e sombras.
Um círculo perfeito
a janela emoldura,
incorpora-se ao cenário.
Pingadeiras apresentam
a dança da água
caindo caudalosa
em ponto de fio.
Música e chuva rendidas
à mesma melodia.
O que fazia?
Guardava na memória
à ferro quente,
essa percepção delicada
das cores
odores e sons,
no imenso
ponto de orientação
que chamamos
Natureza.

Patricia Pessoa

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Familiaridades


Lembra de imediato falta de cerimônia e formalismo, leituras truncadas da intimidade implícita.
Um pacto na verdade estabelecido por relações e laços desde o nascimento ou adquiridos ao longo de uma vida.
Na maioria das vezes esquecemos que a familiaridade “permite" que se fale muito, que se façam até mesmo ataques mortais através das palavras ou, que encontrem a compreensão no vácuo do seu silêncio , mas...não conversamos.
Nossas crenças cristalizadas não distinguem a invasão, e os diversos níveis de solidão de cada um que nos cerca.
Mas conversar... é amar, trocar... por mais incômoda e difícil que seja não consiste absolutamente em exaurir a paciência do seu interlocutor seja ele quem for e de que forma for.
Apesar de muitas vezes sufocante, pode vir a ser um se jogar sem rede, contar apenas com o compromisso do afeto, e a segurança , de que alguém além de você , estará lá para ajudar, ainda que as afinidades nem sempre estejam na pauta dos acontecimentos.
Conexões , fortes ou fracas, eternas ou acabadas, novas e revisitadas, em relacionamentos toda a gentileza é pouca, nem toda forma de autodefesa é válida, e grandes revelações muitas vezes perdem seu sentido.
Temos que lembrar sempre a necessidade de cada um preservar seu espaço, suas singularidades e esperar o devido respeito por elas.
Cartografar as relações com generosidade, um gestual sensível, tecer com elas um cerimonial em que a distância permitida e percebida possa ser a premissa de que amores dêem certo, e discussões sejam compostas de bons argumentos.
Buscar sempre a arte dos abraços sinceros, dar liberdade aos movimentos em todos os nossos momentos, manter firmes porém fluídas fronteiras entre apego e a invasão.
E me dou conta que nesse momento acabou por ser essa a minha “utopia de convivência."
Patrícia Pessoa

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O Encanto Quebrado

Encanto quebrado
não há cola que una,
não se explica como ocorre,
e corre,
de nossa alma,
de nosso corpo...
cacos desalojados,
levam com eles
uma fração de nós.

Patricia Pessoa

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Trânsito e Pensamentos

Imóvel no tráfego de São Paulo, turvam minha visão não só a tempestade que desaba violenta escorrendo pelo pára-brisa do carro como as abundantes lágrimas que me escapam dos olhos sem um pingo de economia, tanto que acabei por chamá-las de lágrimas politicamente incorretas.
Enfim, impedida de me movimentar, acabo passeando mesmo por minhas ansiedades, inquietudes e conflitos, pois uma vez decidida a trocar o jogo do contente pelo auto conhecimento, vivo meu flagelo com intensidade e resistência.
Nessa linha de pensamentos flutuantes passo da água conhecida metáfora do inconsciente, à raiva e à inveja como molas propulsoras de ação e não de mortificação...
E prossigo, uma desconfigurada máquina desejante, geradora apenas de desejos reprimidos, sublimados, esquecidos, lembrados , entre pouquíssimos por algum encanto distraído , vividos.
Atravessada por tristezas, algumas já bem conscientes, também sem condições de fuga, quero me permitir bons encontros, e tantas outras possibilidades, na eterna busca pelas “Ffelicidades”, pois somos tão belos e leves quando estamos felizes ainda que dure o instante de um curta metragem.
No desvio da nossa hipermodernidade, nossa sociedade de blogs... filmes... livros... da própria natureza e sua conexão com as reais riquezas afetivas, pessoais e profissionais, nem sei se exatamente nessa ordem (cada um tem a sua), cria um vazio que se instala em nossas almas, obviamente sem a mínima gentileza de pedir licença, mas nos dá o espaço e a oportunidade para que seja preenchido, no constante alimentar da potência criativa de que todos os seres são capazes.
Afinal se ser é ser percebido, quem deve se dar a ver em primeiro lugar somos nós a nós mesmos.
Pois como diz Clarice Lispector: “...é tão difícil mudar. Às vezes escorre sangue.”
Pessoa em Pessoa

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Sobre Escrever

"Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas das quais sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia."
Clarice Lispector

Acho que seja essa a intenção do Blog, um editor de texto exposto aos bons encontros.



Fazer um 200∞ de infinitas possibilidades e felicidades!