quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Da velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio da conversa.

Esse descer de pálpebra
não é nem idade nem cansaço.

Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e apurado
senso da poesia.



Mia Couto
No livro Idades/ cidades/ divindades'
Ilustração 

By Patrimonio Designs Limited.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sol por dentro

Há um sol 
que brilha por dentro.

(Pelos ossos, pelo
sangue, pelos músculos,
pelos nervos.)

Ele arde na carne
ferve na pele,
reverbera em pensamento.

Há um sol 
no fundo do corpo,

lúcido noite adentro.

Marcelo Sandman

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Uma Arte

A arte de perder não é nenhum mistério;
tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. 


Perca um pouquinho a cada dia.Aceite, austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 

Depois perca mais rápido, com mais critério: 
Lugares, nomes, a escala subseqüente

da viagem não feita. Nada disso é sério. 


Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes. 
A arte de perder não é nenhum mistério. 


Perdi duas cidades lindas. E um império 
que era meu, dois rios, e mais um continente. 
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.


– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) 

não muda nada. Pois é evidente 
que a arte de perder não chega a ser mistério 
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

Elizabeth Bishop

segunda-feira, 13 de maio de 2013


Escrever nem uma coisa
Nem outra -
A fim de dizer todas -
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.

Manoel de Barros
Photo Karo Yuki

quinta-feira, 9 de maio de 2013


Desconhecido, se você vier passando e der comigo e quiser me falar - por que não haveria de falar comigo?
E eu, por que também não haveria de falar com você?
Walt Withman 

domingo, 28 de abril de 2013

AMÁLGAMA (substantivo de dois gêneros) fig.: mistura, reunião ou ajuntamento de elementos diferentes ou heterogêneos, que formam um todo. Conjunto de idiossincrasias, espécie de almanaque. Amálganaques.

quarta-feira, 6 de março de 2013

GENTE...da gente...


Eu gosto de gente. E gente é tudo diferente. Gosto de gente contente, de gente que anda pra frente, de gente que acontece na vida por acidente, de repente. Gosto de gente que planta semente, gente que é elo na corrente, de gente que é confidente e fonte de amor crescente. Gosto de gente que abre a mente, de gente sempre presente, de gente que é sol nascente, de gente que pensa transparente, de gente que tem brilho de estrela cadente, mas não cai - olha que surpreendente.

Eu gosto de gente que precisa de espaço e que cabe dentro de mim mesmo assim. Eu gosto de gente que é laço, que pisa o meu passo, que é abraço quando me falta um pedaço, mesmo nos mais duros dias de cansaço. Gosto de gente que não escolhe, e sim acolhe. E envolve, absorve, comove. De gente que é parceria na hora da alegria, estende a mão nos momentos de solidão e tem sempre uma palavra de clareza e riqueza nos dias de tristeza. Eu gosto de gente que não se guarda: se entrega, navega. De gente que se chega, se aconchega. De gente que aceita, de gente que enfeita. Eu gosto de gente que comigo se ajeita.

Eu gosto de gente onde eu posso caber. De gente de peito aberto, sorriso esperto, coração liberto. Gente pra mim não tem muros: é casa espaçosa, com jardim de grama verdinha, borboleta batendo asa e cachorro fazendo festa no quintal. Gente pra mim é luz acesa, é porta sem tranca, é janela com vista pro mar. Bom mesmo é encontrar gente em quem a gente possa fazer um lar. E morar.

Verônica Fantoni

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013




"A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."


Rubem Alves

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012



‎"Mais um dia sem rotinas e clichês.
 Sem demoras, sem motivos e nem porquês."

"Another day without routines and cliches.
 Without delay, without reason or whys. " 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Recordações

" ...fomos crianças, meu amigo

e hoje crescemos distantes

mas guardo tudo na caixa 


de sapato comigo

as memórias jamais


 
esqueceremos sorridentes."

 Thiago Prada

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

" A música desperta o tempo"

Som e silêncio, ser e devir, repentino e gradual, espaço 

e tempo. 

Intelecto e emoção, a música tem qualidades 

metafísicas que permitem a sensação de paz absoluta, 

a relação entre a vida e a morte, a possibilidade de ir 

além do material para entender a essência do sujeito. 

Além de focalizar as peculiaridades dos principais 

compositores,
A música desperta o tempo relaciona também música e 

política.

 Daniel Berenboim
photo: javiy

domingo, 1 de julho de 2012

photo pessoas na pessoa
A cura para tudo é água salgada
Suor
        Lágrimas
                           Mar