Há um sol que brilha por dentro. (Pelos ossos, pelo sangue, pelos músculos, pelos nervos.) Ele arde na carne ferve na pele, reverbera em pensamento. Há um sol no fundo do corpo, lúcido noite adentro. Marcelo Sandman
A arte de perder não é nenhum mistério; tantas coisas contêm em si o acidente De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.Aceite, austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério: Lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita.Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.E um império que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles.Mas não é nada sério. – Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. Elizabeth Bishop
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Escrever nem uma coisa Nem outra - A fim de dizer todas - Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim, Ao poeta faz bem Desexplicar - Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.
Manoel de Barros
Photo Karo Yuki
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Desconhecido, se você vier passando e der comigo e quiser me falar - por que não haveria de falar comigo? E eu, por que também não haveria de falar com você?
Walt Withman
domingo, 28 de abril de 2013
AMÁLGAMA (substantivo de dois gêneros) fig.: mistura, reunião ou ajuntamento de elementos diferentes ou heterogêneos, que formam um todo. Conjunto de idiossincrasias, espécie de almanaque. Amálganaques.
Eu gosto de gente. E gente é tudo diferente. Gosto de gente contente, de gente que anda pra frente, de gente que acontece na vida por acidente, de repente. Gosto de gente que planta semente, gente que é elo na corrente, de gente que é confidente e fonte de amor crescente. Gosto de gente que abre a mente, de gente sempre presente, de gente que é sol nascente, de gente que pensa transparente, de gente que tem brilho de estrela cadente, mas não cai - olha que surpreendente.
Eu gosto de gente que precisa de espaço e que cabe dentro de mim mesmo assim. Eu gosto de gente que é laço, que pisa o meu passo, que é abraço quando me falta um pedaço, mesmo nos mais duros dias de cansaço. Gosto de gente que não escolhe, e sim acolhe. E envolve, absorve, comove. De gente que é parceria na hora da alegria, estende a mão nos momentos de solidão e tem sempre uma palavra de clareza e riqueza nos dias de tristeza. Eu gosto de gente que não se guarda: se entrega, navega. De gente que se chega, se aconchega. De gente que aceita, de gente que enfeita. Eu gosto de gente que comigo se ajeita.
Eu gosto de gente onde eu posso caber. De gente de peito aberto, sorriso esperto, coração liberto. Gente pra mim não tem muros: é casa espaçosa, com jardim de grama verdinha, borboleta batendo asa e cachorro fazendo festa no quintal. Gente pra mim é luz acesa, é porta sem tranca, é janela com vista pro mar. Bom mesmo é encontrar gente em quem a gente possa fazer um lar. E morar.
Verônica Fantoni
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
"A alma é uma borboleta... há um instante em que uma voz nos diz que chegou o momento de uma grande metamorfose..."