domingo, 1 de março de 2009
Para Juliana...
perdido numa dobra
do sistema solar
ai é fácil confundir
sorrir com chorar
difícil distinguir
esse planeta de sonhar
Paulo Leminski
Para Vevê
Nao desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos- onde
Os deuses por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, Não subas, fica.
O mistério está é na sua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mário Quintana
Para Theo
então vai acabar essa adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que o meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar essa adolescência
Paulo Leminski
Para Ana
foi que vi como o adulto é sensato!
Pois como não tomar banho nu no rio entre pássaros?
Como não furar lona de circo para ver os palhaços?
Como não acender ainda mais até na ausência da voz?
(Ausência da voz é infantia com t em latim)
Lá onde a gente grande pode ver o próprio feto do verbo-
ainda em movimento.
Aonde a gente pode enxergar o feto dos nomes -
ainda sem penugens
Porque não voltar a apalpar as primeiras formas da pedra. A escutar
Os primeiros pios dos pássaros. A ver
As primeiras cores do amanhecer.
Como não voltar para onde a invenção está virgem?
Por que não ascender de volta para o tartamudo!
Manuel de Barros
Para as baleias de Agosto...
Meneide e Minita,
estão sentadas na varanda:
Minita e Meneide
Elas usam batas de fitas,
Meneide e Minita,
e penteados de tranças:
Minita e Meneide
Tomam chocolate, as velhinhas
Meneide e Minita,
em xícaras de porcelana
Minita e Meneide
Uma diz:"Como a tarde é linda,
não é Meneide?
A outra diz: "Como as ondas dançam,
não é Minita?
"Ontem eu era pequenina".
diz Minita.
"Ontem nós éramos crianças",
diz Meneide.
E levam a boca as xicrinhas,
Meneide e Minita,
As xicrinhas de Porcelana:
Minita e Meneide.
Tomam chocolate, as velhinhas,
Meneide e Minita.
E falam de suas lembranças,
Minita e Meneide.
Cecília Meireles
A original tem os nomes de Marina e Mariana.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Uma musica para sair do Carnaval
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Metáforas
A OBRA ARTÍSTICA
“A obra artística é como uma flecha que se dirige a um alvo. Não importa se ela alcança ou não esse alvo, mas sim que ela se movimente. Por isso, comparo o escritor a essa flecha: ele é o que é, mas também o que deseja ser, representado pelo alvo.” (Tomás Eloy Martinez, escritor argentin
AS IDÉIAS
“As idéias são como camisas. É preciso trocá-las muitas vezes para conservá-las limpas.” (Jean-Yves Leloup, pensador espiritualista francês)
OS GUARDA-CHUVAS
“Eu caminhava entre guarda-chuvas pretos, como se uma população inteira de morcegos se locomovesse.” (Cees Nooteboom, em Caminhos para Santiago, p. 41)
O BRASIL
“O Brasil é um andar de cima realizado e um andar de baixo esquecido.” (Antonio Cândido, crítico literário brasileiro)
AMIZADE COM SEXO
“O estudo sugere que essas amizades físicas freqüentemente entopem uma das artérias emocionais da verdadeira amizade, a franqueza. Amigos que antes podiam falar de tudo passam a ter um tópico que é um tabu não declarado — o próprio relacionamento. Em toda conversa, há a sugestão; um elefante na sala.” (Benedict Carey, em reportagem no New York Times)
O GÊNIO
“Leonardo da Vinci foi como um homem que acordou cedo demais na escuridão, enquanto os outros continuavam a dormir.” (Sigmund Freud, criador da psicanálise)
A DEPRESSÃO
“A depressão é um resfriado da alma” (dito japonês)
O ASCETA AUTÔNOMO
“Sou um monge sem mosteiro. Gosto de trafegar pelas mais diversas crenças e sistemas de pensamento, mas sem pertencer a congregações. Isto me causa o mesmo desconforto de caminhar com sapato apertado. Prefiro seguir em frente com minhas próprias sandálias.” (Liang Tzu)
SAÍDA DE PASSAGEIROS
“Quando o trem parou na Bahnhof, em Munique, os passageiros saíram como que de um embrulho rasgado.” (Markus Zusak, em A menina que roubava livros, p. 27)”
(Metáforas selecionadas e editadas pelo escritor Renato Modernell, autor de “Sonata da Última Cidade“).





